Ao longo da carreira, conhecemos muita gente.
Colegas de faculdade. Advogados. Clientes. Professores. Magistrados. Empresários. Pessoas que encontramos em congressos, reuniões, cursos e eventos profissionais.
Trocamos cartões, telefones, mensagens e seguimos uns aos outros nas redes sociais.
Nossa lista de contatos cresce.
Mas será que nossos relacionamentos também?
Há uma diferença entre conhecer pessoas e construir vínculos.
Conhecer alguém é relativamente fácil.
Construir uma relação exige tempo, presença, interesse verdadeiro e, sobretudo, reciprocidade.
Talvez por isso eu tenha aprendido a desconfiar de uma palavra muito utilizada no mundo profissional: networking.
Não porque exista algo errado em ampliar nossa rede de contatos.
O problema começa quando enxergamos as pessoas apenas pelo que elas poderão fazer por nós.
Relacionamentos verdadeiros começam de outra maneira.
Começam quando perguntamos sem precisar pedir.
Quando telefonamos sem ter um favor para solicitar.
Quando parabenizamos sinceramente uma conquista.
Quando indicamos uma oportunidade.
Quando oferecemos ajuda antes que alguém precise pedi-la.
E, principalmente, quando permanecemos próximos mesmo quando aquela pessoa não tem nada a nos oferecer.
Com o passar dos anos, percebemos que os contatos mais importantes da nossa vida profissional nem sempre são os mais poderosos.
São aqueles nos quais existe confiança.
Por isso, talvez devêssemos fazer uma pergunta de vez em quando:
Se eu não precisasse de absolutamente nada dessas pessoas, ainda assim procuraria algumas delas?
A resposta pode revelar muito sobre a rede que estamos construindo.
Porque uma grande carreira pode até acumular milhares de contatos.
Mas uma grande vida precisa de algo diferente:
pessoas.
Entre nós, advogados, talvez seja melhor construir menos contatos…e mais relações que o tempo tenha vontade de conservar.